Bem vindos! Bem vindas! Acabam de entar no blog do Petrocco!
Espero que possam encontrar aqui textos, artigos, piadas e tantas coisas que te agradem e ajudem você a pensar!
Os textos publicados são, na maioria das vezes, da minha autoria! Claro que também terão textos de outros autores!
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Sexta-feira, Junho 04, 2010
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3:47 PM
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Quarta-feira, Maio 12, 2010
MENSAGEM AO POVO DE DEUS SOBRE AS
COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE
Introdução
“As Comunidades Eclesiais de Base”, dizíamos em 1982, constituem “em nosso país, uma realidade que expressa um dos traços mais dinâmicos da vida da Igreja (...)” (Comunidades Eclesiais de Base na Igreja do Brasil, CNBB, doc. 25,1). Após a Conferência de Aparecida (2007) e o 12º Intereclesial (Porto Velho-2009), queremos oferecer a todos os nossos irmãos e irmãs uma mensagem de animação, embora breve, para a caminhada de nossas CEBs.
Queremos reafirmar que elas continuam sendo um “sinal da vitalidade da Igreja” (RM 51). Os discípulos e as discípulas de Cristo nelas se reúnem para uma atenta escuta da Palavra de Deus, para a busca de relações mais fraternas, para celebrar os mistérios cristãos em sua vida e para assumir o compromisso de transformação da sociedade. Além disso, como afirma Medellín, as comunidades de base são “o primeiro e fundamental núcleo eclesial (...), célula inicial da estrutura eclesial e foco de evangelização e, atualmente, fator primordial da promoção humana (...)” (Medellín 15).
Por isso, “Como pastores, atentos à vida da Igreja em nossa sociedade, queremos olhá-las com carinho, estar à sua escuta e tentar descobrir através de sua vida, tão intimamente ligada à história do povo no qual elas estão inseridas, o caminho que se abre diante delas para o futuro”. (CNBB 25,5)
Os desafios postos às CEBs hoje: a sociabilidade básica no clima cultural contemporâneo
Com as grandes mudanças que estão acontecendo no mundo inteiro e em nosso país, as CEBs enfrentam hoje novos desafios: numa sociedade globalizada e urbanizada, como viver em comunidade? Nascidas num contexto ainda em grande parte rural, serão capazes de se adaptar aos centros urbanos, que têm um ritmo de vida diferente e são caracterizados por uma realidade plural? Dentro desse contexto, há outro desafio: como transmitir às novas gerações as experiências e valores das gerações anteriores, inclusive a fé e o modo de vivê-la? Só uma Igreja com diferentes jeitos de viver a mesma Fé será capaz de dialogar relevantemente com a sociedade contemporânea.
O século XX foi, sem dúvida, o século da globalização. Suas consequências para a vida cotidiana são tantas que hoje se fala que o mundo vive não mais uma época de mudanças, mas “uma mudança de época, cujo nível mais profundo é o cultural” (DAp 44). De fato, “a ciência e a técnica quando colocadas exclusivamente a serviço do mercado (...) criam uma nova visão da realidade” (DAp 45), mas isso não significa um passo em direção ao desenvolvimento integral proposto pela encíclica Populorum progressio e reafirmado pelo Papa Bento XVI em Caritas in Veritate, porque a lógica do mercado corrói a estrutura de sociabilidade básica que se expressa nas relações de tipo comunitário. À medida que ele avança, expulsa as relações de cooperação e solidariedade e introduz relações de competição nas quais o mais forte é quem leva vantagem.
Desta forma, é preciso valorizar as experiências de sociabilidade básica: as relações fundadas na gratuidade que se expressa na dinâmica de oferecer-receber-retribuir. O cultivo da reciprocidade tem como espaço primeiro aquele onde a vizinhança territorial é importante para a vida cotidiana, como em áreas rurais, bairros de periferia e favelas. É a solidariedade entre vizinhos – melhor dizendo, entre vizinhas – que assegura o cuidado com crianças, idosos e doentes, por exemplo. Não por acaso, esses espaços periféricos favorecem o desenvolvimento de associações de vizinhança e movimentos que reivindicam melhorias de equipamento urbano, bem como das próprias Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). São as relações de reciprocidade que, promovendo a solidariedade que é a força dos pobres e pequenos, permite que se diga que "gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, consegue mudanças extraordinárias".
O percurso histórico das CEBs no Brasil
A experiência das CEBs não surgiu de um planejamento prévio, mas de um impulso renovador, como um sopro do Espírito, já presente na Igreja no Brasil. Esse impulso renovador se manifesta de forma crescente nos anos 50 e 60 do século 20. Na verdade, os tempos se tornaram maduros para uma nova consciência histórica e eclesial: primeiro, pela emergência de um novo sujeito social na sociedade brasileira, o sujeito popular, que ansiava à participação; segundo, pela emergência de um novo sujeito eclesial, portador de uma nova consciência na Igreja. Ele ansiava participar ativa e corresponsavelmente da vida e da missão da Igreja. Esse sujeito provoca novas descobertas e conversões pastorais (CNBB 25,7).
Nelas se revigoravam ou restauravam as relações de reciprocidade, de modo a favorecer a reconstrução das estruturas da vida cotidiana, do mundo da vida, em um contexto social adverso. A interação entre a CEB enquanto organismo eclesial e a comunidade local de vizinhos é uma das grandes contribuições da Igreja à conquista dos direitos de cidadania em nosso País. Ao acolher pastoralmente a população rural ou migrante em capelas e salões improvisados nos quais elas se sentissem “em casa”, a Igreja lhes ofereceu uma possibilidade de organizar-se autonomamente, quando as empresas e os poderes públicos só viam nela o potencial de mão-de-obra a ser empregada no processo de industrialização.
A experiência dos Intereclesiais
Os Encontros Intereclesiais das CEBs são patrimônio teológico e pastoral da Igreja no Brasil. Desde a realização do primeiro, em 1975 (Vitória – ES), reúnem diversas dioceses para troca de experiência e reflexão teológica e pastoral acerca da caminhada das CEBs. Foram doze encontros nacionais, diversos encontros de preparação em várias instâncias (paróquias, dioceses, regionais) e, desde a realização do 8º Intereclesial ocorrido em Santa Maria – RS (1992), são realizados seminários de preparação e aprofundamento dos temas ligados ao encontro.
Manifestação visível da eclesialidade das CEBs, os Encontros Intereclesiais congregam bispos, religiosos e religiosas, presbíteros, assessores e assessoras, animadores e animadoras de comunidades, bem como convidados de outras igrejas cristãs e tradições religiosas. Neles se expressa a comunhão entre os fiéis e seus pastores.
Espiritualidade e vivência eucarística
“O Concílio Vaticano II, eminentemente pastoral, provocou um grande impacto na Igreja. Suas grandes idéias-chaves trouxeram a fundamentação teológica para a intuição, já sentida na prática, de que a renovação pastoral deve se fazer a partir da renovação da vida comunitária e de que a comunidade deve se tornar instrumento de evangelização”. (CNBB 25,11)
A exigência do Vaticano II é de razão estritamente teológica, de ordem trinitária. A essência íntima de Deus não é a solidão, mas a comunhão de três divinas Pessoas. A comunhão – koinonia, communio – constitui a realidade e a categoria fundamental que permeia todos os seres e que melhor traduz a presença do Deus-Trindade no mundo. É a comunhão que faz a Igreja ser “comunidade de fiéis”. Por isso, o Vaticano II faz derivar a união do Povo de Deus da unidade que vigora entre as três divinas Pessoas (LG 4).
A Trindade nos coloca, desde o início, no coração do mistério de comunhão. O Papa João Paulo II, falando aos bispos em Puebla, em 28 de janeiro de 1979, proclamou: “Nosso Deus em seu mistério mais íntimo não é uma solidão, mas uma família... e a essência da família é o amor”. A comunhão e a comunidade devem estar presentes em todas as manifestações humanas e em todas as concretizações eclesiais.
Por isso mesmo, a Eucaristia está no centro da vida de nossas comunidades de base. É o sacramento que expressa comunhão e participação de todos e todas, como numa grande família, ao redor da Mesa do Pai. Há comunidades que recebem a comunhão eucarística graças a presença do Santíssimo no local ou pelo serviço de um ministro extraordinário da sagrada comunhão. Como nossas CEBs, em sua maioria, “não têm oportunidade de participar da Eucaristia dominical”, por falta de ministros ordenados, “elas podem alimentar seu já admirável espírito missionário participando da ‘celebração dominical da Palavra’, que faz presente o mistério pascal no amor que congrega (cf. 1 Jo 3, 14), na Palavra acolhida (cf. Jo 5, 24-25) e na oração comunitária (cf. Mt 18,20)” (DAp 253).
A realidade das CEBs se expressa na liturgia e também na diaconia e na profecia. A diaconia educa, cura as feridas, multiplica e distribui o pão e chama para a solidariedade e a comunhão. A profecia anuncia o desígnio de Deus e denuncia os abusos, a mentira, a injustiça, a exploração e exige a conversão. Por isso, sofre perseguição, difamação, morte.
Temos duas testemunhas recentes desse duplo ministério dos discípulos e discípulas de Jesus Cristo: Dra. Zilda Arns e Irmã Dorothy Stang. Há muito conhecidas por nossas comunidades pobres pelo Brasil afora, elas inspiraram a ação das CEBs. Elas entregaram a vida e nos deixaram seu testemunho de fé e amor aos pobres, fracos, desamparados e discriminados.
Esta espiritualidade também possibilitou a produção de uma rica manifestação artística em nossas comunidades – músicas, poesias, pinturas, símbolos – típicos da prática religiosa e cultural de nosso povo, e que também são instrumentos de evangelização e de missão.
Vivência e Anúncio da Palavra de Deus e o Testemunho de fé
“A Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). A acolhida da Palavra de Deus e a vivência comunitária da fé são indissociáveis nas CEBs. A Bíblia faz parte do dia-a-dia da comunidade, estando presente nos grupos e pastorais, nas liturgias e na formação, na reza e nas ações que visam superar as desigualdades e injustiças da sociedade brasileira.
São espaços privilegiados de leitura bíblica nas CEBs os círculos bíblicos e grupos de reflexão. Neles o povo se coloca como sujeito eclesial, assume seu lugar na comunidade e na sociedade. O protagonismo dos leigos nas CEBs é expressão viva de uma Igreja que se renova animada pelo Espírito Santo, é também um sinal de que no discipulado estão surgindo novos ministérios e serviços.
“O ministério da Palavra exige o ministério da catequese a todos porque ‘fortalece a conversão inicial e permite que os discípulos missionários possam perseverar na vida cristã e na missão em meio ao mundo que os desafia’” (DGAE 64; DAp 278c). A vida em comunidade já é uma forma de catequese. Ela predispõe para o aprofundamento da fé e da vida cristã por meio do ministério da catequese e também pelo testemunho fraterno de seus membros.
Solidariedade e serviço
Alimentadas pela Palavra de Deus e pela vivência de comunhão, as CEBs promovem solidariedade e serviço. Reunindo pessoas humildes, as CEBs ajudam a Igreja a estar mais comprometida com a vida e o sofrimento dos pobres, como fez Jesus. Elas manifestam, mais claramente, que “o serviço dos pobres é medida privilegiada, embora não exclusiva, do seguimento de Cristo” (DP 1145).
Mais ainda, o surgimento das CEBs, junto com o compromisso com os mais necessitados, ajudou a Igreja a “descobrir o potencial evangelizador dos pobres”, primeiro, porque interpelam a Igreja, chamando-a à conversão; segundo, porque “realizam em sua vida os valores evangélicos da solidariedade, serviço, simplicidade e disponibilidade para acolher o dom de Deus” (DP 1147). As vocações religiosas e sacerdotais despertadas pelas CEBs sinalizam vitalidade espiritual, comunhão eclesial e um novo estímulo de consagração a Deus.
A formação dos discípulos missionários
Na sua experiência já amadurecida, as CEBs querem ser Igreja como o Concílio Vaticano II desejou: uma Igreja toda ministerial a serviço do Reino de Deus. A formação do discípulo missionário começa dentro delas pela experiência de um encontro feliz e alegre com a pessoa de Jesus, sua vida e seu destino. Como Jesus convocou discípulos e discípulas para estarem com ele, do mesmo modo, ele convoca também hoje discípulos e discípulas para estarem com ele e dele aprenderem o amor ao Pai, a fidelidade ao Espírito e o compromisso para a transformação do mundo em mundo de irmãos e irmãs.
Por sua capacidade de cuidar da formação da própria comunidade e de olhar, com compaixão, a realidade, as CEBs podem e devem ser cada vez mais escolas que ajudam “a formar cristãos comprometidos com sua fé; discípulos e missionários do Senhor, como o testemunha a entrega generosa, até derramar o sangue, de muitos de seus membros” (DAp 178).
A participação nos movimentos sociais, de cidadania, de defesa do meio ambiente em vista da construção do Reino de Deus
No que diz respeito à relação das CEBs com a dimensão sociopolítica da evangelização, o Sínodo sobre A Justiça no Mundo, de 1971, já tinha afirmado que “a ação pela justiça e a participação na transformação do mundo nos aparecem claramente como uma dimensão constitutiva da pregação do Evangelho, isto é, da missão da Igreja pela redenção do gênero humano e a libertação de toda situação de opressão” (introd.). Em vista disso, a Igreja no Brasil exorta as CEBs e demais comunidades eclesiais a se manterem fiéis à própria fé, no conteúdo e nos métodos, na busca da libertação plena, superando a tentação “de reduzir a missão da Igreja às dimensões de um projeto puramente temporal” (CNBB 25,64ss; Cf. EN 32).
Em relação à aproximação das CEBs com os movimentos populares na luta pela justiça, o documento 25 da CNBB afirmava que elas “não podem arrogar-se o monopólio do Reino de Deus”. Na verdade, a CEB deve tomar consciência de que, “como Igreja, é sinal e instrumento do Reino, é aquela pequena porção do povo de Deus onde a Palavra de Deus é acolhida e celebrada nos sacramentos ... sobretudo na Eucaristia” (70ss). As CEBs buscam, sim, a “colaboração fraterna com pessoas e grupos que lutam pelos mesmos valores” (73).
As CEBs têm despertado em muitos dos seus membros a espiritualidade do cuidado para com a vida dos seres humanos, de todas as formas de vida e a vida do Planeta Terra. A espiritualidade do cuidado tem motivado o surgimento de gestos e atitudes éticas de respeito, de veneração, de ternura, de cooperação solidária, de parceria, que promovam a inclusão de todos e de tudo no mistério da vida.
As CEBs promovem a participação ativa de seus membros nos grupos de economia popular solidária, resgatando o sentido originário da economia como a atividade destinada a garantir a base material da vida pessoal, familiar, social e espiritual. Contribui assim para que o trabalho humano, além de ser o lugar de edificação da dignidade humana e promoção da justiça social, seja também responsável pela promoção do desenvolvimento sustentável.
Espírito de abertura ecumênica e diálogo interreligioso
Uma das dimensões da espiritualidade cultivadas pelas CEBs é a do diálogo ecumênico e interreligioso, que se dá pela abertura ao mundo do outro, promovendo a unidade na diversidade e buscando as semelhanças na diferença. Esta espiritualidade dialogal tem sido assumida pelas CEBs como uma missão de fraternidade cristã, numa atitude de profundo respeito às demais manifestações religiosas, em busca da comunhão universal. Essa espiritualidade nasce do desejo expresso por Jesus: "Que todos sejam um!" (Jo 17,21)
Formação de rede de comunidades
Os membros das CEBs são discípulos de Cristo e ajudam a formar outras comunidades. Em meio a grandes extensões geográficas e populacionais, a comunidade eclesial de base requer que as relações sejam de fraternidade, partilha de vida, de bens e da própria experiência de fé. Ela deve provocar um encontro permanente com a Palavra de Deus e celebrar na liturgia, na alegria e na festa, a salvação que Jesus Cristo nos trouxe.
A experiência da fé e da participação faz amadurecer a comunidade eclesial de base, e lhe confere características próprias de modo a levá-la a um relacionamento fraterno de igualdade com as demais comunidades pertencentes à mesma paróquia. Com isso, a matriz-paroquial ganha maior relevância pastoral na medida em que passa a exercer a função de articuladora das comunidades.
Exortamos que a paróquia procure se transformar em “rede de comunidades e grupos, capazes de se articular conseguindo que seus membros se sintam realmente discípulos missionários de Jesus Cristo em comunhão” (DAp 172), tendo por modelo as primeiras comunidades cristãs retratadas nos Atos dos Apóstolos (At 2 e 4). Assim, a paróquia será mais viva, junto com suas comunidades, coordenadas por leigos ou leigas, por diáconos permanentes, animadas por religiosos e religiosas, e que tenham no Conselho Pastoral Paroquial, presidido pelo pároco, seu principal articulador pastoral.
Conclusão
Em comunhão com outras células vivas da Igreja, comunidades de discípulos e discípulas geradas pelo encontro com Jesus Cristo, Palavra feito carne (cf. Jo 1,14), como são os movimentos, as novas comunidades, as pequenas comunidades, que integram a rede de comunidades que a paróquia é chamada a ser, reafirmamos aqui o que está escrito no Documento 25 da CNBB: “Ao concluir estas reflexões, desejamos agradecer a Deus pelo dom que as CEBs são para a vida da Igreja no Brasil, pela união existente entre os nossos irmãos e seus pastores, e pela esperança de que este novo modo de ser Igreja vá se tornando sempre mais fermento de renovação em nossa sociedade”. (94)
Brasília-DF, 12 de maio de 2010
10:26 PM
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Segunda-feira, Abril 19, 2010
A visão de um seminarista
Recentemente vemos em jornais impressos e televisivos notícias sobre casos de pedofilia envolvendo presbíteros da Igreja Católica Apostólica Romana. Notícias e afirmações que carregam verdades e posições errôneas acerca da vivência do sacerdócio e da posição oficial da Igreja, incluindo a figura do Papa Bento XVI.
Em algumas matérias buscaram-se na formação dos seminaristas as raízes para as patologias presentes em presbíteros e, que a questão do celibato teria que ser revista para a solução de tais problemas. Discussões acerca do celibato sempre foram presentes na Igreja e, não caberia a nós fundamentar alguma posição, já que não acredito ter fundamentos teológicos e doutrinários para tal. Apenas gostaria de elencar algumas coisas também essenciais na vida de um presbítero que acredito ser fundamentais na formação dos futuros padres.
É muito comum sermos indagados a respeito do fundamento da nossa opção vocacional. Quem nos chamou? Como decidimos ser padre? Como conseguir viver sem ter uma esposa e uma família? Como abdicar a algo tão essencial na vida de um homem, como é a relação sexual? Tenho a convicção de que nossa vocação brota de algo muito mais profundo do que tais questões.
Nossa preocupação não é com nossas vidas ou com nossas necessidades sexuais. Sei que isso, na contemporaneidade, é algo estranho: Como alguém não pensa em si, em um mundo marcado pelo individualismo, marcado pela busca de saciar seus desejos e anseios pessoais? É isso mesmo! Não é em nossos desejos e anseios que pensamos. Quando percebemos o chamado de Deus, que acontece na nossa vida, na nossa história – portanto é um chamado histórico e real – queremos algo muito mais profundo do que nossos sonhos pessoais.
Quem já fez uma experiência de fé sabe do que estou falando. Sabe que não é algo irracional, mas que ultrapassa a nossa razão: é transcendente! Não vai entender esse contexto quem nunca fez uma experiência de fé. Uma experiência que também não é irreal, mas que parte da realidade de nossas vidas e a transcende. É fazer a experiência de Deus como Abraão, Moisés, os profetas, os judeus, os cristãos e todas as religiões. Uma experiência que é imanente e transcendente.
Nossa vocação brota dessa experiência de fé no Deus presente na história. Experiência pessoal que nos interpela e nos impulsiona para a vivência comunitária e para o serviço dos nossos irmãos e irmãs. No serviço aos mais fracos e pequenos percebemos a presença de Deus que nos chama para o serviço total a Ele e a esses. Daí cabe a nós uma resposta ao chamado, cabe a nós respondermos com fidelidade e amor ao Projeto de Deus.
Como todos os seres humanos somos dotados de fraquezas e de problemas. Somos fruto da sociedade em que vivemos, por isso, podemos ter psicopatologias, distúrbios psicológicos e tantas outras coisas, como qualquer ser humano, já que todos nós somos feitos do mesmo “barro”. Muito mais que santos, somos seres humanos buscando superar novas dificuldades e limitações, em busca de uma santidade, mas não a perda da nossa humanidade.
O mundo contemporâneo parece clamar por Super-Homens e, muitos acreditam que esses que são “diferentes” por serem homens do sagrado, devem ocupar esse posto. Sentimos muito se não o somos, se somos iguais a todos os seres humanos: limitados e deficientes.
Entristece e machucam as denúncias e os casos de pedofilia, como tantos outros tipos de contra-testemunhos dados por homens e mulheres da Igreja, mas também machucam tais atos cometidos por pais de família, médicos, professores e profissionais das mais diversas áreas e pessoas das mais diversas instituições. Somos a favor da punição legal de todas essas pessoas, mas não podemos generalizar, afirmando que todos os padres são pedófilos e que isso vem da formação seminarística, do mesmo modo que seria errado afirmar que estudantes de medicina aprendem isso em seus cursos.
Afirmamos sim que recebemos um chamado de Deus para o serviço ao seu povo na Igreja. Pedimos, como o Papa Bento XVI, perdão às vítimas dessas atrocidades. Sabemos que as marcas deixadas por abusos de irmãos nossos nunca serão cicatrizadas. Mas acreditamos que o amor de Deus fará com que sejamos diferentes e, nós que estamos no processo de formação, podemos fazer as coisas diferentes. Continuo animado em minha vocação para ser servidor e amante do povo, sendo o primeiro que serve, que se faz servidor de um povo que já sofre com tantas injustiças.
Acredito que o Deus de toda a esperança e defensor da vida, faz brotar a cada dia vocações verdadeiras para o serviço presbiteral na Igreja, como verdadeiros ministros e portadores da Boa Notícia, para que todos tenham vida e a tenham em abundância. Como seguidores de Cristo, anunciando um reino de Paz e Justiça, não como utopia, mas como urgente e possível.
11:20 PM
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Quinta-feira, Março 25, 2010
30 anos do martírio de Dom Oscar Romero
"Minha morte seja testemunho de esperança no futuro"
A respeito de poucos contemporâneos se escreveu e falou tanto, bem ou mal, como de Dom Oscar Arnulfo Romero y Gadamez. Um fenômeno, aliás, inevitável quando se é chamado para servir em situações tão conflitivas como as que lhe couberam. Quando em, 24 de março de 1980, foi assassinado por causa de sua corajosa defesa dos pobres e perseguidos, muitos se alegraram: Finalmente se calou a voz desse profeta incômodo e arrogante!. Mas para o povo simples, que não faz a história mas padece dela, se repetiu o antigo ditado cristão: "Voz do povo, voz de Deus", e um clamor unânime o reinvindicou como São Romero da América.
Era como se todo um continente e o mundo inteiro tomassem finalmente consciência de que esse homem, armado somente de sua voz e de uma coragem excepcional, dera a maior prova que um cristão poderia dar: entregar a vida pelos irmãos. E, a partir desse momento, passou a ser um símbolo. Com os anos, e acalmadas um pouco as paixões, a figura de Dom Romero, arcebispo de San Salvador, emerge em toda a sua plenitude de pastor, profeta e mártir.
Nascido de uma família humilde, em 15 de agosto de 1917 em El Salvador, segue seus estudos sacerdotais em Roma, onde é ordenado em 1942. Volta à sua pátria e, em 1970, o encontramos como bispo auxiliar de San Salvador. Pouco mais tarde ocupa o cargo de bispo da pequena diocese de Santiago de Maria. Por esse tempo não se sobressai muito, salvo por sua intensa vida espiritual e por seu abnegado trabalho entre as pessoas.
O que revelará em toda a sua grandeza é sua nomeação não sem graves conflitos, como arcebispo da sede de San Salvador. É aqui onde, diariamente, vai tomando consciência dos conflitos inauditos de sua gente, especialmente a mais pobre. Ocorre nele uma evidente evolução que o leva a ser "voz dos sem voz", através das homilias dominicais, de seus encontros frequentes com os homens dos meios de comunicação, suas alocuções radiofônicas, de suas cartas pastoraus e de suas visitas a quantos sofriam humilhações. E não se limita à denúncia. Põe em movimento os amigos, as pessoas influentes, entra em contato com as autoridades do governo e, como último recurso, apela para a opinião pública internacional... É escutado e venerado pela maioria, mas também caluniado e hostilizado pelos poderosos de seu país...
Ele não se detém. Seu "diário" revela uma atividade frenética em todas as frentes da pastoral e da assistência... Mas o traço que mais impressiona é a fonte de tudo isso: sua vida de oração. Suas homilias dominicais, que enchiam a catedral da capital, não atraíam só por sua carga profética e sociopolítica, mas também por sua santidade. Jon Sobrino, jesuíta amigo seu, afirma claramente esse aspecto que às vezes se esquece. E o próprio Dom Romero tinha consciência disto e dos riscos que suas denúnciaspodiam significar. "A religião bem aprofundada - dizia - conduz aos compromissos políticos e tem que criar conflitos em um país como o nosso, onde impera a injustiça social". E se alegrava de que também a Igreja fosse perseguida (e sabemos de que forma!) por sua clara e corajosa opção pelos pobres.
Em mais de uma ocasião aconselharam-no a "baixar o tom" de sua denúncia ou ir embora do país; ou seja, abandonar a luta. Sua resposta invariável: Não posso, para mim é um dever; e ai de mim se eu não falasse!" Era o pastor e se dedicava a seu povo. Tinha consciência de que, como a Jesus, "procuravam-no para matá-lo", e foram muitas as ameaças que recebeu. Ele mesmo deixa isso registrado em um texto famoso: "A palavra fica. E este é o grande consolo daquele que anuncia. Minha voz desaparecerá, mas minha palavra, que é Cristo, ficará nos corações que o tenham querido acolher".
Já nos últimos dias de sua vida, deixa registrado o que poderíamos chamar de seu testamento: "Tenho sido freqüentemente ameaçado de morte. Devo dizer-lhes que, como cristão, não acredito na morte sem ressurreição...". Para ele, como para todo crente, a última palavra não era a morte, ainda que fosse violenta, mas sim a vida. E foi assim que, na tarde de 24 de março de 1980, apenas terminada a homilia, uma bala assassina acreditou calar "para sempre" essa voz, hoje mais viva do que nunca...
texto extraído do livro: A única violência - o amor. De autoria de Benito Spoletini
3:58 PM
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Terça-feira, Março 16, 2010
A Igreja do Brasil, o povo brasileiro perde mais uma pessoa amante do Reino e construtora de um mundo mais justo e fraterno. Falece em um terremoto no Haiti Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança.
Uma mulher que amando Jesus Cristo nos pequeninos do Reino doou sua vida para a promoção de tantas outras. Não há amor maior do que dar a vida por seus amigos. Zilda Arns foi amiga das crianças, principalmente das mais pobres. A Pastoral da Criança, reconhecida no mundo inteiro, é um instrumento na erradicação da desnutrição e do abandono de milhares de crianças pelo mundo inteiro.
Com toda a certeza estaremos em luto pela vida dessa nossa irmã, mas temos o compromisso de manter vivo o seu sonho, de um dia não precisarmos mais da Pastoral da Criança, sonho que mais do que utópico, é compromisso de não termos mais nenhuma criança desnutrida e abandonada...sonho conhecido por todos nós como Reino de Deus... onde todos tenham vida e a tenham em abundância.
Perdemos uma lutadora na causa do Reino, mas ganhamos mais uma intecessora. Reze por nós Zilda, juntamente com nossos santos Helder, Luciano, Aloísio. Interceda a Maria, sua amiga e mestra, para que sejamos também instrumentos e construtores do Reino.
7:15 PM
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Sexta-feira, Dezembro 25, 2009
Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco (Is 7,14)
Queridos amigos e amigas,
Queridos irmãos e irmãs,
Estamos vivendo um tempo oportuno. Pudemos em todo o tempo do advento nos preparar para a vinda do Senhor. Já estamos encerrando o ano de 2009 e posso lhes dizer, como esse ano demorou a passar.
Foi um ano de muitas novidades e, principalmente muitos desafios. Novidades vindas de todos os cantos. Minha família vivendo em uma nova casa, como uma nova etapa em nossas vidas como família. Eu, deixando o mundo da filosofia e ingressando no mundo da teologia. Mudança de mundo, mudança de Seminário, mudança de reitor, mudança de pastoral.
Não mais estaria com o povo querido e amado da Paróquia São Miguel Arcanjo, não mais estaria ajudando o querido e amigo Pe. João Paulo. Deixava muitos amigos, um até logo que tinha som de adeus. Mas vimos nessas mudanças um sinal de esperança e de renovação no amor ao Povo de Deus e na causa da construção do Reino.
Passei pelo vestibular da teologia, graças a Deus em uma ótima colocação. Mudei para o Seminário de Teologia na alegria de ter como reitor o Pe. Cláudio que tanto me ajudou e tem me ajudado na caminhada vocacional. A esperança de iniciar uma nova pastoral em Indaiatuba, onde tenho encontrado pessoas amigas. Sempre tive ao meu lado o amigo e irmão de sempre o Claudiney a quem sou infinitamente grato por sua amizade e irmandade. Tudo isso fez com que a esperança fosse firme e forte nesse processo, mesmo que houvesse as dificuldades.
Ficou um pouco do sentimento de saudade, de ansiedade e de medo na nova etapa. Saudades dos amigos deixados na filosofia, dos amigos e amigas da São Miguel, dos amigos do tempo de escola... saudade da família. Sei e tenho convicção de que Deus me ajudou e me ajuda em todo o meu caminhar vocacional, sempre me cercando de pessoas maravilhosas e testemunhas da justiça e da igualdade. Um verdadeiro sinal de Deus foi e tem sido todos e todas da Comissão de Cebs e da PJ que tem sido um alicerce em minha caminhada de cristão.
Confesso que foi um ano puxado na faculdade, com as leituras e trabalhos exigidos, com as avaliações e apresentações, projetos e aulas que me alimentaram intelectualmente e fizeram com que minha fé tomasse raízes mais profundas. Aulas e professores que fizeram com que pudesse entender que preciso ser cada vez melhor para servir com mais eficácia o povo de Deus, não sendo um bom padre, mas sim um ótimo padre.
Mas nesse ano também sofri muito. Poucos de vocês sabem toda a história ocorrida, mas lhe digo que foi um ano, principalmente o segundo semestre, de muita tristeza e angústia. Sofri com calúnias, perseguições, ameaças, armações, exclusão e outras coisas que nem quero me lembrar. Momentos de revolta e sofrimentos que fizeram com que eu pensasse e repensasse toda a minha vocação. Mas também foram momentos que percebi quem realmente são os meus amigos e quem me ama de verdade.
Tive e tenho entre meus amigos de Seminário pessoas que sempre se colocaram ao meu lado, pessoas que percebiam e percebem os momentos que passo e que me ajudam. Pessoas que apenas com sua amizade e apoio fizeram com que eu enfrentasse todo esse processo. O Claudiney com sua paciência e lágrimas sempre ao meu lado sofrendo junto e se alegrando junto. Inúmeras foram as vezes que choramos juntos, mas que nos alegramos juntos. O Amauri que, mesmo não estando na mesma casa, sem eu precisar dizer uma palavra sabia quando algo estava errado e se colocava prontamente a ajudar. O Maycon, meu irmãozinho, mesmo que mais velho do que eu sempre apontando os caminhos como um verdadeiro profeta. Não poderia deixar de citar também o Jonas que se colocou do nosso lado, sempre demonstrando apoio e amizade.
Irmãos de caminhada e de fé que com seu apoio também sofreram perseguições e exclusão pela escolha que fizeram. Não poderia ter suportado tudo isso também sem a ajuda do Pe. Claudio como um verdadeiro amigo e animador na caminhada. Também o Pe. Luiz Antonio do Canto Neto, durante esse ano diretor espiritual e ano que vem como reitor, com quem partilhei minhas tristezas e angústias meus agradecimentos de coração. Outros padres que com sua amizade são verdadeiras testemunhas de um ministério-serviço como o Pe. Caio, Pe. Valter, Pe. Luiz Carlos, Côn. Zé Luiz, Pe. Nelson, Pe. Ferraro, Pe. Nei, Frei Luiz, Pe. Victor, Pe. Marcelo, Pe. João Batista Cesario, Pe. Florentino, Pe. Benedetti.
Dificuldades que só fazem com que eu perceba ainda mais a presença de Deus em minha vida e minha caminhada. Presença essa que é real, o Deus que se faz homem como nós e que caminha conosco. Tempo oportuno para deixar com que o próprio Deus, o Emanuel, seja presente em nossas vidas. Sou agradecido a Deus pelas pessoas em quem Ele se faz presente, pessoas que como verdadeiras testemunhas do Reino, sempre transmitiram sua fé e sua esperança nesse Deus que é conosco.
Celebro este natal com todos vocês, familiares e amigos, na esperança do renascimento de todos os sonhos e utopias que, juntos, poderemos fazer se tornar realidade. Celebrar o natal sempre na esperança de um mundo mais justo, fraterno, igualitário onde tenha lugar para todos. Mundo esse onde não haverá mais tristeza, dor, angústia... mas sempre a alegria da vida e da vida em abundância.
Que o Deus fonte de toda a esperança nos ajude na construção desse outro mundo possível que se faz urgente.
1:44 AM
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Domingo, Novembro 29, 2009
Recebi recentemente um e-mail intitulado "Estou velho"... com uma apresentação de slides que fazia questão de demonstrar que certas coisas, presentes num pensamento contemporâneo, que apontam para uma vida mais consciente e aberta para as questões desafiadoras da realidade, são coisas que não devem ser pensadas... valorizando um pensamento arcaico e com piceladas de uma mentalidade neoliberal presente em muitos de nós... e, em resposta a este e-mail escrevi o seguinte texto:
Como gosto do novo!
O novo sempre carrega consigo um novo ar, uma nova esperança, novos sonhos. Sonhos de um mundo melhor onde caibam todos. Mundo onde todos possam ter um pedaço de terra para morar com a sua família, mundo onde o que importa não são os interesses de alguns, mas o bem de todos.
Não um mundo que pensa num progresso desenfreado, deixando para trás todos aqueles que não conseguem acompanhá-lo. Não um mundo que constrói divisões, mas um mundo que une toda a raça humana, onde todos tenham pelo menos o pão de cada dia.
Mundo novo onde não haja diferença de raças e de credos. Mundo que saiba reconhecer os seus erros históricos de massacres, inferiorizações de raças e culturas, mundo violento e assassino que saiba que errou e, pelo menos tente, refazer esses erros colocando de volta no círculo da sociedade aqueles que colocou á margem.
Um mundo novo, onde as pessoas não fechem seus olhos para a realidade que as interpela, realidade que precisa ser transformada e que é responsabilidade de cada um e de todos. Realidade sofrida e sangrenta, onde milhares de pessoas são assassinadas, onde muitas mais morrem de fome abandonadas em sua miséria.
Mundo onde ninguém deixe de sonhar com justiça, fraternidade, partilha, unidade, igualdade. Pessoas que acreditem que um mundo diferente é possível e que só depende de cada um de nós. Pessoas que ainda acreditem umas nas outras, que vejam em cada sorriso de uma criança o alvorecer de uma nova sociedade. Pessoas que vejam na juventude a esperança de mudança, esperança de serem protagonistas de uma mudança estrutural, econômica e política da sociedade. Pessoas que parem de olhar simplesmente para suas propriedades e comecem a olhar para quem os cerca. Pessoas que vejam as outras como realmente são: seres humanos.
Mundo novo, de pessoas novas... pessoas que deixem de pensar com a cabeça de um país e, pensem a partir da sua realidade. Pessoas que amem o país que vive e que, a exemplo da jovem chore com essa realidade, mas sempre na esperança se sintam impulsionados para a mudança.
Pessoas que peçam a Deus que não sejam indiferentes aos tantos desafios que nos interpelam nos dias de hoje, pessoas que não vivam simplesmente de uma nostalgia, mas que a partir da sua história possam sempre construir o novo!
Por isso que gosto de ser novo e de viver sempre o novo. Já que o novo sempre vem.... basta cada um de nós o acolhermos ou não... Esse é o espírito que nos aponta e pede o Natal... que possamos sempre acolher esse novo que ousamos chamar Reino de Deus.
4:51 PM
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Bibliografia
HAUGHT, J.F. Mistério e promessa. Teologia da Revelação. Paulus, São Paulo, 1998.
Biografia
John F. Haught é especialista em teologia sistemática. Doutor em estudos da religião pela Catholic University of America e professor de teologia na Georgtown University. Tem um interesse por ciência, cosmologia, ecologia e conciliação da teologia com a evolução.
Comentário crítico
No Antigo Testamento a revelação se dá na centralidade da aliança (berit) de Deus com o povo, presente no livro do Êxodo. É Javé o deus que vê a miséria do povo, ouve o seu grito e desce para libertá-lo, prometendo uma terra onde corre leite e mel (Êx 3,7-8). E Javé cumpre a promessa conduzindo o povo para a terra prometida por meio de Moisés e Aarão. E na tradição profética, com a infidelidade do povo, Deus chama seu povo de volta a si (schub), de volta para a aliança. Portanto, a revelação Veterotestamentária tem como centralidade a presença de Deus na história do povo de Israel e a sua aliança com Ele.
Na revelação Neotestamentária a experiência pascal é essencial. É no encontro histórico com Jesus, revelador e revelação, que os discípulos transmitem essa experiência (kerygma), encontrando na transmissão dessa experiência e na formação de comunidades o sentido da revelação. A transmissão da experiência se torna então ato de evangelização e que alcança os dias atuais, sendo revelação continuada.
Em seu livro Mistério e Promessa, John F. Haught trata da questão da revelação com clareza e perspectiva de diálogo com o mundo moderno e com as diversas tradições religiosas. Ao fazer um retrospecto da teologia da revelação e seu desenvolvimento inicial, podemos perceber seu sentido apologético e sua recusa ao diálogo, sendo meramente uma ferramenta contra as heresias e contra o protestantismo. Mas, ao apontar o avanço da mesma a partir do Concílio Ecumênico Vaticano II, o autor nos mostra a necessidade de termos como primazia a Palavra de Deus sobre o magistério e a tradição. Primazia essa que colabora no diálogo ecumênico e com as ciências.
A revelação como promessa e como kenosis é apreendida como abertura para um futuro, como esperança, como um abaixamento, uma auto-humilhação de Deus, presente na história do povo de Israel, que se concretiza em Jesus de Nazaré e que alcança nossos dias. Tanto a história como a Igreja são os lugares da revelação. A história é o lócus principal da revelação, mas a Igreja é onde a comunidade reunida recebe a revelação, a celebra e a comunica ao mundo. Por isso que a vida comunitária é essencial para que tomemos parte na revelação, vivendo a promessa.
O sentimento de pertença à comunidade eclesial e também no cosmos, faz com que compreendamos a promessa como abertura para nós mesmos e para os outros, principalmente os que mais sofrem. Esse caráter histórico da promessa é conteúdo da revelação, que deve permear a nossa teologia.
A imagem de Deus como amor que se doa apresentada por Haught, vai contra a dinâmica da sociedade atual, onde não há espaço para um Deus “fraco” e humilhado, apenas para um Deus poderoso e soberano. Essa imagem de Deus, indo contra a dinâmica neoliberal e capitalista, aponta para a necessidade de uma prática cristã a favor da transformação do mundo e da ótica da exclusão. Um Deus amor que se abaixa, que vai ao encontro de quem o sistema coloca à margem. Jesus é o sacramento da nova ótica, a do amor, como podemos perceber no relato do cego Bartimeu (Mc 10, 46-52).
Jesus experimentou e comunicou o mistério, trazendo para a nossa vida a experiência de Deus como Pai, como amor. Como revelador e como conteúdo da revelação faz com que seja realizada uma transformação no mundo. Faz com que tenhamos uma esperança concreta, que nos impulsiona para a comunhão com Deus e que faz com que sejamos também atores dessa transformação, co-responsáveis na construção do Reino. Assim, construindo um Outro Mundo Possível, veremos a promessa cumprida mais uma vez, quando viveremos numa terra onde corre leite e mel.
4:44 PM
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Terça-feira, Agosto 18, 2009
CARTA DE DOM MOACYR GRECHI POR OCASIÃO DO ENCONTRO DOS ASSESSORES DA ARTICULAÇÃO CONTINENTAL DAS CEBS EM PORTO VELHO DE 27 A 31 DE JULHO DE 2009.
“Pai, eu te agradeço porque escondeste estas coisas
aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos,
porque assim foi do teu agrado” (Mt. 11,25-26).
“Gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, consegue mudanças extraordinárias”. Provérbio africano
Fiquei feliz e grato, como bispo da Igreja Particular de Porto Velho, Rondônia, em ter acolhido, com o coração grande da Amazônia a todos os delegados e delegadas do XII Intereclesial das CEBs, vindos de quase todas as dioceses do Brasil, assim como os irmãos e irmãs convidados vindos de muitos países da América Latina e do Caribe, da Europa, da Ásia, da África e dos Estados Unidos, como também, com muito afeto, meus irmãos Bispos. Louvo ao Senhor por ter feito desta nossa cidade de Porto Velho um espaço de comunhão e comunicação de povos e culturas.
Com este grande coração da Amazônia, quero acolher todos os gritos dos Povos da Terra e os gritos da nossa Mãe Terra, a “Pacha Mama” dos indígenas. A partir do XII Intereclesial e do Encontro de Assessores da articulação continental das CEBs, lhes envio esta carta, expressando meu agradecimento ao Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos reuniu a todos, todas em Porto Velho, na força do Espírito Santo. Ao mesmo tempo, quero lhes oferecer algumas considerações:
1. As CEBs, célula inicial de estruturação eclesial (Md 15,10, DAp, 197), buscam ser comunidades enraizadas na prática histórica de Jesus de Nazaré, filho de Maria (Gal 4,4) e bebem do testemunho das primeiras comunidades cristãs (At 2,42-47; 4,32-35). Como Jesus, assumem a opção pelos pobres (Mt 9,35-36; Lc 4,14-30; Mt 11,2-6; Lc 7,18-23) e a partir deles anunciam o evangelho do Reino a todos, oferecendo a salvação como desejo de Deus Pai (1Tim 2,4), colaborando na construção da fraternidade e sororidade na humanidade. Seguindo os passos de Jesus, as CEBs testemunham que a vida deve brilhar em primeiro lugar (Jo 10,10) e por sua causa, muitos e muitas foram até o martírio, para defendê-la em nome da Justiça do Reino.
2. Seguindo a prática de Jesus de Nazaré, as CEBs se espelham na Palavra de Deus e a têm como companheira da caminhada. Esta Palavra é refletida, rezada, bebida, contemplada, cantada e ilumina a prática libertadora das comunidades, tornando presente o Mistério Pascal. No Brasil e em outros países da América Latina e do Caribe, em muitos lugares, as CEBs anseiam por uma participação à celebração Eucarística, com um ritmo possível e seguro, como alimento da caminhada (Jo 6) e sinal essencial de sua identidade católica.(DAp 253, Doc. CNBB 87, nº 73).
3. Unindo fé e vida, as CEBs são sementeiras de novas lideranças e de novos ministérios. Seus participantes, como cidadãos e cidadãs, se engajam no Movimento Popular, no Movimento Sindical, no campo e na cidade, nos partidos políticos ligados às lutas do povo, na luta dos povos indígenas, dos Quilombolas, das mulheres, como também participam das Pastorais Sociais, oferecendo às pessoas a descoberta da importância da cidadania (Doc. CNBB sobre eleições, 2006, Introdução). Também das CEBs vemos nascer muitos ministérios que colaboram com todo o Povo de Deus na oferta de serviços que ajudam as Comunidades se fortalecerem no seguimento de Jesus.
4. Por estarem inseridas nos bairros pobres de nossas cidades e na zona rural, as CEBs são a instância missionária da Igreja mais próxima das pessoas. Evangelizam a partir das coisas pequenas. Partilham, muitas vezes, o alimento com aqueles e aquelas que não o têm. Cuidam dos doentes, fazem mutirão na roça e na cidade. Exercem o “Lava pés” no meio do mundo (Jo 13,1-17; Mc 10,45). Frente à desilusão de experiências religiosas anteriores, ajudam muitas pessoas a reencontrar a alegria de viver o seguimento de Jesus em comunidade (Lc 24,13-35).
5. Por isso, não têm medo de enfrentar os conflitos e acreditam que o Espírito do Ressuscitado continua a lhes oferecer luz e força para a caminhada, rumo à construção de uma nova sociedade justa, fraterna, solidária, respeitadora da vida e da Mãe Terra, a caminho do Reino Definitivo, acreditando na Trindade como a melhor comunidade.
6. A partir da Conferência de Aparecida, as CEBs ganham reconhecimento e novo alento; são o lugar eclesial para a comunhão; o espaço de formação para os discípulos missionários; nelas os leigos se integram e vão mostrando frutos abundantes. São ambiente propício para se escutar a Palavra de Deus, para viver a fraternidade, para animar na oração, para aprofundar processos de formação na fé e para fortalecer o exigente compromisso de serem apóstolos na sociedade de hoje. Lugares de experiência cristã e evangelização em meio à situação cultural que nos afeta; fonte segura de vocações ao sacerdócio, à vida religiosa e à vida leiga com especial dedicação ao apostolado. Se desejamos pequenas comunidades vivas e dinâmicas, é necessário despertar nelas uma espiritualidade sólida, baseada na Palavra de Deus, que as mantenham em plena comunhão de vida e ideais com a Igreja local e, em particular, com a comunidade paroquial. Nossas paróquias chegarão a ser “comunidade de comunidades” (Dap 307 a 310).
7. A abertura de nossas pequenas comunidades ao impulso do Espírito Santo contribui para o processo de conversão pessoal e pastoral e ao estado permanente de Missão, pois assumimos o compromisso de uma grande missão em todo o Continente. Nossas dioceses, em todas as suas comunidades e estruturas são chamadas a serem comunidades missionárias e, portanto, o sujeito da Missão. Esta firme decisão missionária deve impregnar todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais de dioceses, paróquias, comunidades religiosas, movimentos e de qualquer instituição da Igreja. Nenhuma comunidade deve se isentar de entrar decididamente, com todas suas forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé. (DAp 168,362,365 e doc 88/CNBB)
8. Como fruto do Vaticano II na América Latina e Caribe, as CEBs são o modo mais antigo e novo de ser Igreja. Na expressão de D. Pedro Casaldaliga são “o modo normal de ser Igreja”. Por isso, acredito que todos nós temos a responsabilidade de animá-las e fortalecê-las no Brasil e em nosso Continente latino-americano e caribenho, como instância primeira da Igreja. Acredito que “todas as autênticas transformações se forjam no coração das pessoas e se irradiam em todas as dimensões de sua existência e convivência. Não há novas estruturas se não há homens novos e mulheres novas que mobilizem e façam convergir nos povos ideais e poderosas energias morais e religiosas. Hoje, mais do que nunca, o testemunho de comunhão eclesial e de santidade é uma urgência pastoral. (DAp 538, 368)
9. As CEBs contam sempre com Maria, a fiel seguidora de seu Filho Jesus, e nossa mãe (Jo 19, 25-27) que também em seu canto (Lc 1,46-56) faz a opção pelos pobres, para que haja vida digna para todos os seus filhos e filhas. Quero terminar afirmando com D. Helder Câmara: “Eu acredito que o mundo será melhor, quando o menor que padece acreditar no menor”. Na certeza-esperança da presença do Deus da Vida presente na história de seu povo, envio-lhes um abraço em Jesus Cristo Libertador. Irmanamo-nos aos Irmãos e Irmãs cearenses que vão acolher, com espírito fraterno, o 13º Intereclesial das CEBs para continuar a caminhada no seguimento de Jesus.
Dom Moacyr Grechi
Arcebispo de Porto Velho
9:04 PM
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Terça-feira, Junho 16, 2009
Carta circular de 2009 do Dom Pedro Casaldáliga (Bispo Emérito de São Félix do Araguaia)
D. Pedro Casaldáliga
O cardeal Carlo M. Martini, jesuíta, biblista, arcebispo que foi de Milão e colega meu de Parkinson, é um eclesiástico de diálogo, de acolhida, de renovação a fundo, tanto na Igreja como na Sociedade. Em seu livro de confidências e confissões "Colóquios noturnos em Jerusalém", declara: "Antes eu tinha sonhos acerca da Igreja. Sonhava com uma Igreja que percorre seu caminho na pobreza e na humildade, que não depende dos poderes deste mundo; na qual se extirpasse de raiz a desconfiança; que desse espaço às pessoas que pensem com mais amplidão; que desse ânimos, especialmente, àqueles que se sentem pequenos o pecadores. Sonhava com uma Igreja jovem. Hoje não tenho mais esses sonhos". Esta afirmação categórica de Martini não é, não pode ser, uma declaração de fracasso, de decepção eclesial, de renúncia à utopia. Martini continua sonhando nada menos do que com o Reino, que é a utopia das utopias, um sonho do próprio Deus.
Ele e milhões de pessoas na Igreja sonhamos com a "outra Igreja possível", ao serviço do "outro Mundo possível". E o cardeal Martini é uma boa testemunha e um bom guia nesse caminho alternativo; o tem demonstrado.
Tanto na Igreja (na Igreja de Jesus que são várias Igrejas) como na Sociedade (que são vários povos, várias culturas, vários processos históricos) hoje mais do que nunca devemos radicalizar na procura da justiça e da paz, da dignidade humana e da igualdade na alteridade, do verdadeiro progresso dentro da ecologia profunda. E, como diz Bobbio, "é preciso instalar a liberdade no coração mesmo da igualdade"; hoje com uma visão e uma ação estritamente mundiais. É a outra globalização, a que reivindicam nossos pensadores, nossos militantes, nossos mártires, nossos famintos...
A grande crise econômica atual é uma crise global de Humanidade que não se resolverá com nenhum tipo de capitalismo, porque não é possível um capitalismo humano; o capitalismo continua a ser homicida, ecocida, suicida. Não há modo de servir simultaneamente ao deus dos bancos e ao Deus da Vida, conjugar a prepotência e a usura com a convivência fraterna. A questão axial é: Trata-se de salvar o Sistema ou se trata de salvar à Humanidade? A grandes crises, grandes oportunidades. No idioma chinês a palavra crise se desdobra em dois sentidos: crise como perigo, crise como oportunidade.
Na campanha eleitoral dos EUA se arvorou repetidamente "o sonho de Luther King", querendo atualizar esse sonho; e, por ocasião dos 50 anos da convocatória do Vaticano II, tem-se recordado, com saudade, o "Pacto das Catacumbas da Igreja serva e pobre". No dia 16 de novembro de 1965, poucos dias antes da clausura do Concílio, 40 Padres Conciliares celebraram a Eucaristia nas catacumbas romanas de Domitila, e firmaram o Pacto das Catacumbas. Dom Hélder Câmara, cujo centenário de nascimento estamos celebrando neste ano, era um dos principais animadores do grupo profético. O Pacto em seus 13 pontos insiste na pobreza evangélica da Igreja, sem títulos honoríficos, sem privilégios e sem ostentações mundanas; insiste na colegialidade e na corresponsabilidade da Igreja como Povo de Deus e na abertura ao mundo e na acolhida fraterna.
Hoje, nós, na convulsa conjuntura atual, professamos a vigência de muitos sonhos, sociais, políticos, eclesiais, aos quais de jeito nenhum modo podemos renunciar. Seguimos rechaçando o capitalismo neoliberal, o neoimperialismo do dinheiro e das armas, uma economia de mercado e de consumismo que sepulta na pobreza e na fome a uma grande maioria da Humanidade. E seguiremos rechaçando toda discriminação por motivos de gênero, de cultura, de raça. Exigimos a transformação substancial dos organismos mundiais (a ONU, o FMI, o Banco Mundial, a OMC...). Comprometemo-nos a vivermos uma "ecologia profunda e integral", propiciando uma política agrária-agrícola alternativa à política depredadora do latifúndio, da monocultura, do agrotóxico. Participaremos nas transformações sociais, políticas e econômicas, para uma democracia de "alta intensidade".
Como Igreja queremos viver, à luz do Evangelho, a paixão obsessiva de Jesus, o Reino. Queremos ser Igreja da opção pelos pobres, comunidade ecumênica e macroecumênica também. O Deus em quem acreditamos, o Abbá de Jesus, não pode ser de jeito nenhum causa de fundamentalismos, de exclusões, de inclusões absorventes, de orgulho proselitista. Chega de fazermos do nosso Deus o único Deus verdadeiro. "Meu Deus, me deixa ver a Deus? ". Com todo respeito pela opinião do Papa Bento XVI, o diálogo inter-religioso não somente é possível, é necessário. Faremos da corresponsabilidade eclesial a expressão legítima de uma fé adulta. Exigiremos, corrigindo séculos de descriminação, a plena igualdade da mulher na vida e nos ministérios da Igreja. Estimularemos a liberdade e o serviço reconhecido de nossos teólogos e teólogas. A Igreja será uma rede de comunidades orantes, servidoras, proféticas, testemunhas da Boa Nova: uma Boa Nova de vida, de liberdade, de comunhão feliz. Uma Boa Nova de misericórdia, de acolhida, de perdão, de ternura, samaritana à beira de todos os caminhos da Humanidade. Seguiremos fazendo que se viva na prática eclesial a advertência de Jesus: "Não será assim entre vocês" (Mt 21,26). Seja a autoridade serviço. O Vaticano deixará de ser Estado, e o Papa não será mais chefe de Estado. A Cúria terá de ser profundamente reformada, e as Igrejas locais cultivarão a inculturação do Evangelho e a ministerialidade compartilhada. A Igreja se comprometerá, sem medo, sem evasões, com as grandes causas de justiça e da paz, dos direitos humanos e da igualdade reconhecida de todos os povos. Será profecia de anuncio, de denúncia, de consolação. A política vivida por todos os cristãos e cristãs será aquela "expressão mais alta do amor fraterno" (Pio XI).
Nós nos negamos a renunciar a estes sonhos mesmo quando possam parecer quimera. "Ainda cantamos, ainda sonhamos". Nós nos atemos à palavra de Jesus: "Fogo vim trazer à Terra; e que mais posso querer senão que arda" (Lc 12,49). Com humildade e coragem, no seguimento de Jesus, tentaremos viver estes sonhos no dia a dia de nossas vidas. Seguirá havendo crises e a Humanidade, com suas religiões e suas Igrejas, seguirá sendo santa e pecadora. Mas não faltarão as campanhas universais de solidariedade, os Foros Sociais, as Vias Campesinas, os movimentos populares, as conquistas dos Sem Terra, os pactos ecológicos, os caminhos alternativos da Nossa América, as Comunidades Eclesiais de Base, os processos de reconciliação entre o Shalom e o Salam, as vitórias indígenas e afro , em todo o caso, mais uma vez e sempre, "eu me atenho ao dito: a Esperança".
Cada um e cada uma a quem possa chegar esta circular fraterna, em comunhão de fé religiosa ou de paixão humana, receba um abraço do tamanho destes sonhos. Os velhos ainda temos visões, diz a Bíblia (Jl 3,1). Li nestes dias esta definição: "A velhice é uma espécie de pós-guerra"; não precisamente de claudicação. O Parkinson é apenas um percalço do caminho e seguimos Reino adentro.
Cardeal Martini
7:44 PM
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Sexta-feira, Maio 29, 2009
Mercado da Fé
Frei Betto – 26/05/09 - Adital
Como os supermercados, as Igrejas disputam clientela. A diferença é que eles oferecem produtos mais baratos e, elas, prometem alívio ao sofrimento, paz espiritual, prosperidade e salvação.
Por enquanto, não há confronto nessa competição. Há, sim, preconceitos explícitos em relação a outras tradições religiosas, em especial às de raízes africanas, como o candomblé e a macumba, e ao espiritismo.
Se não cuidarmos agora, essa demonização de expressões religiosas distintas da nossa pode resultar, no futuro, em atitudes fundamentalistas, como a "síndrome de cruzada", a convicção de que, em nome de Deus, o outro precisa ser desmoralizado e destruído.
Quem mais se sente incomodada com a nova geografia da fé é a Igreja Católica. Quem foi rainha nunca perde a majestade... Nos últimos anos, o número de católicos no Brasil decresceu 20% (IBGE, 2003). Hoje, somos 73.8% da população. E nada indica que haveremos de recuperar terreno em futuro próximo.
Paquiderme numa avenida de trânsito acelerado, a Igreja Católica não consegue se modernizar. Sua estrutura piramidal faz com que tudo gire em torno das figuras de bispos e padres. O resto são coadjuvantes. Aos leigos não é dada formação, exceto a do catecismo infantil. Compare-se o catecismo católico à escola dominical das Igrejas protestantes históricas e se verá a diferença de qualidade.
Crianças e jovens católicos têm, em geral, quase nenhuma formação bíblica e teológica. Por isso, não raro encontramos adultos que mantêm uma concepção infantil da fé. Seus vínculos com Deus se estreitam mais pela culpa que pela relação amorosa.
Considere-se a estrutura predominante na Igreja Católica: a paróquia. Encontrar um padre disponível às três da tarde é quase um milagre. No entanto, há igrejas evangélicas onde pastores e obreiros fazem plantão toda a madrugada.
Não insinuo assoberbar ainda mais os padres. A questão é outra: por que a Igreja Católica tem tão poucos pastores? Todos sabemos a razão: ao contrário das demais Igrejas, ela exige de seus pastores virtudes heróicas, como o celibato. E exclui as mulheres do acesso ao sacerdócio. Tal clericalismo trava a irradiação evangelizadora.
O argumento de que assim deve continuar porque o Evangelho o exige não se sustenta à luz do próprio texto bíblico. O principal apóstolo de Jesus, Pedro, era casado (Marcos 1, 29-31); e a primeira apóstola era uma mulher, a samaritana (João 4, 28-29).
Enquanto não se puser um ponto final à desconstrução do Concílio Vaticano II, realizado para renovar a Igreja Católica, os leigos continuarão como fiéis de segunda classe. Muitos não têm vocação ao celibato, mas sim ao sacerdócio, como acontece nas Igrejas Anglicana e Luterana.
Ainda que Roma insista em fortalecer o clericalismo e o celibato (malgrado os escândalos frequentes), quem conhece uma paróquia efervescente? Elas existem, mas, infelizmente, são raras. Em geral, os templos católicos ficam fechados de segunda à sexta (por que não aproveitar o espaço para cursos ou atividades comunitárias?); as missas são desinteressantes; os sermões, vazios de conteúdo. Onde estão os cursos bíblicos, os grupos de jovens, a formação de leigos adultos, o exercício de meditação, os trabalhos voluntários?
Em que paróquia de bairro de classe média os pobres se sentem em casa? Não é o caso das Igrejas evangélicas, basta entrar numa delas, mesmo em bairros nobres, para constatar quanta gente simples ali se encontra.
Aliás, as Igrejas evangélicas sabem lidar com os meios de comunicação, inclusive a TV aberta. Pode-se discutir o conteúdo de sua programação e os métodos de atrair fiel. Mas sabem falar uma linguagem que o povo entende e, por isso, alcançam tanta audiência.
A Igreja Católica tenta correr atrás com as suas showmissas, os padres aeróbicos ou cantores, os movimentos espiritualistas importados do contexto europeu. É a espetacularização do sagrado; fala-se aos sentimentos, à emoção, e não à razão. É a semente em terreno pedregoso (Mateus 13, 20-21).
Não quero correr o risco de ser duro com a minha própria Igreja. Não é verdade que ela não tenha encontrado novos caminhos. Encontrou-os, como as Comunidades Eclesiais de Base. Infelizmente não são suficientemente valorizadas por ameaçarem o clericalismo.
Aliás, as CEBs realizarão seu 12º Encontro Intereclesial de 21 a 25 de julho deste ano, em Porto Velho (RO). O tema, "Ecologia e Missão"; o lema, "Do ventre da Terra, o grito que vem da Amazônia". São esperados mais de 3 mil representantes de CEBs de todo o Brasil.
Bom seria ver o papa Bento XVI participar desse evento profundamente pentecostal.
[Autor, em parceria com Leonardo Boff, de "Mística e Espiritualidade" (Garamond), entre outros livros]. Escritor e assessor de movimentos sociais
9:38 PM
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Quinta-feira, Maio 28, 2009
Primeira questão da prova de Introdução à História da Igreja.
Considerações sobre a transição da Igreja como societas perfecta para uma Igreja Povo de Deus e de co-responsabilidade.
Para entendermos tal transição precisamos, com um pouco de clareza, entendermos o processo que se deu cada concepção.
A concepção de uma Igreja como societas perfecta – que não erra, não tem pecado, onde o leigo é passivo – vem da tradição tridentina baseada na visão belarminiana. Essa visão vem em resposta a Reforma Protestante e traz consigo a concepção da Igreja como sendo Uma, Santa, Católica e Apostólica. Assim, refutando a tese protestante que afirmava que tudo se resume na graça, na fé e na bíblia. A visão de São Roberto Belarmino, presente desde então, vai até meados do Concílio Vaticano II (1962-1965).
No Concílio Vaticano II temos uma reviravolta no que se refere a eclesiologia. Com os processos de modernização, resultando na Revolução Industrial, a Igreja vê a necessidade de não mais condenar o mundo moderno – como era então presente nos pontificados anteriores ao de João XXIII - mas de dialogar com o mundo e com o homem moderno.
Percebeu-se, por meio dos estudos históricos, que ao longo da história a Igreja manteve seu papel por causa do serviço que prestava aos que mais precisavam. Assim, a Igreja não se vê mais como uma sociedade perfeita com seu governante – o papa – mas como uma Igreja que errou durante sua história e que quer dialogar com a realidade moderna.
Podemos perceber essa abertura em documentos do Concílio Vaticano II como a Gaudium et Spes que no seu início afirma que as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres de hoje são, também, as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo (GS 1) e não há nada que ressoe no coração do homem e da mulher que não ressoe no coração da Igreja.
Temos, no modelo belarminiano, uma Igreja baseada na hierarquia, onde se exalta a figura papal, episcopal e presbiteral. No Concílio Vaticano II a Lumen Gentium faz uma inversão no que se refere a Cristologia, a Eclesiologia e a Antropologia. Não é mais a Igreja o centro, mas Jesus Cristo e o seu mistério. O papel da Igreja está ligado ao mistério de Cristo. A Igreja passa a ser todo o Povo de Deus, povo que tem o múnus sacerdotal que vem do batismo, uma Igreja de comunhão e participação, de co-responsabilidade, com a pariticipação dos leigos, com a colegialidade episcopal. Uma Igreja trinitária, eucarpistica e pascal, aberta às ciências num diálogo aberto e crítico.
Podemos perceber, então, uma evolução dentro do processo histórico de uma Igreja que, na concepção medieval e anti-moderna se caracteriza como sociedade perfeita, para uma Igreja que se insere no mundo para dialogar com ele e responder aos desafios que isso lhe implica, sendo os cristãos o coração do mundo na Igreja e o coração da Igreja no mundo, como encontramos na Gaudium et Spes.
7:55 PM
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Segue resumo e pequeno comentário crítico sobre o texto "Do Deus do teísmo ao Deus crucificado" de Claude Geffré. Que fora apresentado à disciplina de Introdução à Teologia e História da Teologia, da Faculdade de Teologia da Puc-Campinas....
Resumo
No mundo atual podemos perceber que Deus é desconhecido ou muito conhecido por causa do teísmo clássico e os nomes dados a Deus pelo mesmo. Nós devemos partir para a recuperação do nome de Deus. Tal reconquista faz com que o invoquemos e, na continuidade da pronúncia do nome Dele façamos com que apareça sempre vivo e atual. Apesar de alguns nomes de Deus estarem ligados a interesses, o papel da teologia é de fazer crítica a esses nomes e buscar os nomes que Deus mostra na história do homem diante dele. Também há a questão se somos capazes, na realidade atéia moderna e do imanentismo contemporâneo, de pronunciar o nome de Deus. As religiões saídas de Abraão podem colaborar nesse processo. O texto procurará avaliar a atual teologia como crítica filosófica e política da tradição teísta e procurar dizer quais os nomes de Deus que correspondem ao homem moderno.
Atualmente os nomes divinos estão relacionados ao papel que Jesus exerce na imagem de Deus, tal teologia varia entre duas concepções: a de Deus relacionado com o Absoluto ou à partir da sua manifestação em Jesus. O cristianismo está exposto historicamente a dois perigos: de comprometer a identidade de Deus em Jesus, sacrificando a visão teísta e o de ter apenas como referência a manifestação de Deus em Jesus, prejudicando o estatuto do transcendente pessoal de Deus, sendo algo incerto e dificultando o diálogo com as religiões monoteístas. A atual teologia caracterizada como “morte de Deus” colabora na compreensão dessa dualidade. Tais teologias resultam das contestações do Deus da metafísica e da função social de Deus.
A contestação do Deus da metafísica precisa ser compreendida em dois âmbitos: a mudança da conjuntura cultural e da crise da linguagem filosófica sobre Deus. A forma tradicional do teísmo sobre Deus o via como causa primeira e o cosmo como uma organização hierarquizada, estando o homem nessa hierarquia. Hoje o mundo é compreendido como uma história a ser construída pelo homem, sendo ele o responsável e o produtor. Tais idéias parecem ser inconciliáveis entre si. No mundo moderno há a questão da inutilidade de Deus nesse processo, sendo que a teologia moderna de Barth acentua a distância entre o Deus da religião e o Deus da fé. O da religião corresponde às necessidades dos homens, já o da fé é o Deus todo Outro, sendo procurado por causa de si e não sendo um Deus disponível às necessidades do homem.
No que se refere a crise da linguagem filosófica de Deus, podemos perceber que a imagem do homem e do mundo mudou. Por causa dessa mudança cultural há nomes divinos que não correspondem à consciência religiosa espontânea do homem. As raízes dessas dificuldades se encontram na crise dos fundamentos metafísicos da teologia. Desde Kant o acesso a Deus só pode ser feito por meio da razão prática. Com o abalo do teísmo metafísico, vemos o sucesso do “Jesus-centrismo”, que se dá com a negação do Deus todo-poderoso. No desenrolar da história é a própria metafísica quem mata o Deus do teísmo e, na modernidade com o humanismo ateu, o homem substitui Deus. A teologia cristã tem de ser ela mesma defendendo os nomes de Deus dados pela revelação. Deus como causa primeira é a essência de toda metafísica e tal conceito só pode ser teologicamente aceitável na ontoteologia. O Deus da ontoteologia é apresentado como um ídolo para a cidade, permanecendo um conceito.
Outro tipo de contestação é a da função social de Deus, diante da concepção moderna de emancipação, já que se tem no modelo teísta o símbolo da Paternidade divina que defendia uma ordem social conservadora. A teologia deixa de ser ela mesma quando passa a defender um modelo baseado em determinado grupo e sistema social, legitimando-o na sociedade e na Igreja.
Procurar o nome próprio de Deus vai além do teísmo e do “Jesus-centrismo”, pois sair de um e cair em outro significa comprometer toda a universalidade do cristianismo tornando assim Jesus um ídolo. O que deve ser feito é ir ao encontro do movimento do Novo Testamento que nos mostra que é impossível conhecer Deus e Jesus fora da relação de um com o outro. É Jesus quem tem a função de libertar a humanidade de uma visao errônea de Deus e revelar sua verdadeira face. Vencida, portanto, a crise do teísmo a teologia agora é convidada a elaborar um “teísmo crístico”, sem renunciar as exigências da fé e da razão. Duas vias podem nos ajudar a pensar no nome do Deus de Jesus.
A primeira via é de partir de Jesus como universal concreto. Primeiramente não podemos ter como ponto de partida o homem racional, mas sua abertura e acolhimento em face de Deus que é exigência incondicional. Cristo é o lugar onde Deus se revela, ele é a encarnação da verdade. Podemos, porém, cair em dois perigos: no conceito metafísico de Deus ou na mera preocupação de atingir melhor o homem sem falar de Deus. O que devemos fazer é procurar conciliar as duas realidades (a de Deus e a do homem), concebendo Cristo como universal concreto. É em Jesus que essas duas realidades se encontram e se tornam interdependentes.
A revelação judaico-cristã apresenta a originalidade de Deus se revelar numa história, sendo Jesus o próprio Absoluto na história. Tal concepção não se enquadra no pensamento contemporâneo. Já no século XVIII havia um racionalismo que questionava a particularidade histórica de Jesus como universal e concreto, mas o pensamento hegeliano colabora no sentido de apresentar que não há incompatibilidade racional nos dois conceitos. Os teólogos devem, portanto, buscar o nome do Deus histórico, pois a transcendência de Deus se manifesta na ultrapassagem de tal oposição. Não se pode separar criação e encarnação, já que a encarnação é o ato supremo da criação. Compreendendo a relação humana com Deus, como vemos em Jesus, encontramos o caminho para encontrar o nome de Deus, afirmando nossa relação de filiação com o Pai sendo filhos.
Como não se pode definir o nome de Deus, devemos recorrer a vários nomes para poder invocá-lo e fazendo-o na simbólica da Trindade. Designar Deus não é necessariamente segundo a confissão oficial da Igreja, mas na perspectiva de boa nova para os homens, como Deus amor e libertador, apresentando um Deus único diante de tantos ídolos da atualidade. Invocando Deus como antidestino é apresentá-lo na dinâmica bíblica em relação aos deuses pagãos. Ele é Aquele que não impõe ao homem fatalidades e fardos, pelo contrário, ele faz história conosco, somos com Deus co-criadores. Em Jesus o destino de Deus está aberto de possibilidades como o futuro do homem. O Deus que invocamos é o da esperança, da promessa e sempre novo, nossa alteridade e exterioridade indo contra qualquer idéia absoluta de religião.
Esse Deus que faz história conosco é também o Deus solidário por ser o Deus crucificado. Vem então a questão da existência de Deus que é posterior a questão que surge dos gritos dos sofredores, ou seja, a questão da existência de Deus não é nada perto da questão da sua justiça no mundo. Todos somos convocados a reinterpretar a sua onipotência partindo da cruz de Cristo, Deus que morre para a vida do homem. Deus não é contrário ao mal, mas não deixa com ele a última palavra. Nossa atitude deve ser a de “praticar” Deus, sem nos preocuparmos em discorrer sobre Ele. É no serviço aos homens como culto a Deus que poderemos invocá-lo com o nome ou os nomes que convêm a Ele. Portanto, podemos concluir que Deus é três vezes santo e próximo.
Comentário crítico
De forma coerente e lógica Geffré apresenta no texto argumentos que fazem a teologia pensar o seu papel e como se pensar o papel da teologia. Como estudo de Deus, a teologia deve apresentar e buscar os fundamentos dos nomes dados a Ele e como, no processo histórico, o homem o invocou e deve invocá-lo.
A identidade da teologia é de manter e de buscar os nomes de Deus dados pela revelação, e não baseados em modelos que defendem sistemas e grupos. Acreditamos ser necessário, como afirma o autor, estar em contato com o outro para se relacionar com Deus e com Jesus, indo ao encontro do movimento do Novo Testamento, como aponta o autor. A teologia deve ser o instrumento que aponta, na revelação, o Deus totalmente Outro. Portanto, para invocarmos Deus como Ele o é, devemos ter como princípio nossa relação com o outro enquanto sofredor: ‘Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram.’ (Mt 25,40).
Tal perspectiva se mostra hoje desafiante para entendermos a necessidade do diálogo entre as religiões monoteístas em busca de uma sociedade mais justa e fraterna. Geffré mostra não só o papel do discurso teológico mas aponta para uma práxis teológica e cristã urgente.
7:29 PM
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Uma piadinha para animar!!!!!!!
Um fazendeiro, preocupado porque suas porcas não ficavam prenhas, ligou para o veterinário, que disse ao fazendeiro que era preciso fazer INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL.
O fazendeiro não tinha a menor idéia do que era isso, mas não querendo demonstrar ignorância, apenas perguntou como saberia se as porcas estavam mesmo prenhas, e o veterinário disse:
- As porcas prenhas passam o dia mergulhadas na lama...
O fazendeiro pensou e concluiu que na inseminação artificial, deveria ser que ele mesmo teria que emprenhar as porcas.
Colocou as porcas numa Kombi, foi para o meio do mato, transou com cada uma delas e voltou para a fazenda...
Na manhã seguinte, viu que as porcas não estavam na lama e resolveu fazer tudo de novo...
Colocou as porcas na Kombi, foi para o meio do mato,transou o dia inteiro com elas e voltou para a fazenda.
Na manhã seguinte, ele foi ver as porcas, e nada... Elas não mergulhavam na lama.
Então ele colocou as porcas na Kombi de novo, foi para o meio do mato, transou várias vezes, com cada uma delas e voltou para fazenda.
Na manhã seguinte ele estava exausto, nem conseguia levantar e pediu à mulher para Dar uma olhada e ver se as porcas estavam mergulhadas na lama.
- Não, estão todas na Kombi e uma delas não pára de buzinar...
7:18 PM
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Quarta-feira, Maio 20, 2009
O ANO SACERDOTAL
Caros Sacerdotes,
O Ano Sacerdotal, anunciado por nosso amado Papa Bento XVI, para celebrar o 150º aniversário da morte de S. João Maria Vianney, o Santo Cura D’Ars, está às portas. O Santo Padre o abrirá a 19 de junho p.f., festa do Sagrado Coração de Jesus e Dia Mundial de oração pela santificação dos sacerdotes. O anúncio deste ano especial teve uma repercussão mundial positiva, especialmente entre os próprios sacerdotes. Todos queremos empenhar-nos com determinação, profundidade e fervor, a fim de que seja um ano amplamente celebrado em todo o mundo, nas dioceses, nas paróquias, em cada comunidade local, com envolvimento caloroso do nosso povo católico, que sem dúvida ama seus padres e os quer ver felizes, santos e alegres no trabalho apostólico quotidiano.
Deverá ser um ano positivo e propositivo, em que a Igreja quer dizer antes de tudo aos sacerdotes, mas também a todos os cristãos, à sociedade mundial, através dos meios de comunicação global, que ela se orgulha de seus sacerdotes, os ama, os venera, os admira e reconhece com gratidão seu trabalho pastoral e seu testemunho de vida. Realmente, os sacerdotes são importantes não só pelo que fazem, mas também pelo que são. Ao mesmo tempo, é verdade que alguns deles apareceram envolvidos em problemas graves e situações delituosas. Obviamente, é preciso continuar a investigá-los, julgá-los devidamente e puni-los. Estes casos, contudo, dizem respeito somente a uma porcentagem muito pequena do clero. Na sua imensa maioria, os sacerdotes são pessoas muito dignas, dedicadas ao ministério, homens de oração e de caridade pastoral, que investem toda sua vida na realização de sua vocação e missão, muitas vezes com grandes sacrifícios pessoais, mas sempre com amor autêntico a Jesus Cristo, à Igreja e ao povo, solidários com os pobres e os sofridos. Por isso, a Igreja está orgulhosa de seus sacerdotes em todo o mundo.
Este ano seja também ocasião para um período de intenso aprofundamento da identidade sacerdotal, da teologia do sacerdócio católico e do sentido extraordinário da vocação e da missão dos sacerdotes na Igreja e na sociedade. Isso exigirá congressos de estudo, jornadas de reflexão, exercícios espirituais específicos, conferências e semanas teológicas em nossa faculdades eclesiásticas, pesquisas científicas e respectivas publicações.
O Santo Padre, em seu discurso de anúncio, durante a Assembléia Plenária da Congregação para o Clero, a 16 de março p.p., disse que com este ano especial pretende-se “favorecer esta tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual da qual sobretudo depende a eficácia do seu ministério”. Por esta razão, deve ser, de modo muito especial, um ano de oração dos sacerdotes, com eles e por eles, um ano de renovação da espiritualidade do presbitério e de cada presbítero. A adoração eucarística pela santificação dos sacerdotes e a maternidade espiritual de monjas, de religiosas consagradas e de leigas referente a sacerdotes , como já proposto, tempos atrás, pela Congregação para o Clero, poderiam ser desenvolvidas com frutos reais de santificação.
Seja um ano em que se examinem de novo as condições concretas e a sustentação material em que vivem nossos sacerdotes, às vezes submetidos a situações de dura pobreza.
Seja, ao mesmo tempo, um ano de celebrações religiosas e públicas, que levem o povo, as comunidades católicas locais, a rezar, a meditar, a festejar e a prestar uma justa homenagem a seus sacerdotes. A festa na comunidade eclesial constitui uma expressão muito cordial, que exprime e nutre a alegria cristã, uma alegria que brota da certeza de que Deus nos ama e festeja conosco. Será uma oportunidade para desenvolver a comunhão e a amizade dos sacerdotes com a comunidade que lhes foi confiada.
Muitos outros aspectos e iniciativas poderiam ser nomeados para enriquecer o Ano Sacerdotal. Aqui deverá entrar a justa creatividade das Igrejas locais. Por esta razão, convem que cada Conferência Episcopal, cada diocese, cada paróquia e comunidade local estabeleçam, quanto antes, um verdadeiro e próprio programa para este ano especial. Obviamente, será muito importante começar o ano com um evento significativo. No próprio dia da abertura do Ano Sacerdotal em Roma com o Santo Padre, 19 de junho, as Igrejas locais são convidadas a participar, de algum modo, quiçá com um ato litúrgico específico e festivo. Os que puderem vir a Roma para a abertura, venham para manifestar assim a própria participação nesta feliz iniciativa do Papa. Deus, sem dúvida, abençoará este empenho com grande amor. E a Santíssima Virgem Maria, Rainha do Clero, intercederá por todos vós, caros sacerdotes!
Cardeal Dom Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo
Prefeito da Congregação para o Clero
2:01 PM
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Domingo, Maio 17, 2009
Darwin matou Deus?
Na terça-feira, 12 de maio, 800 pessoas lotaram a Abadia de Westminster, na Inglaterra (onde Charles Darwin está enterrado), para um debate intitulado "Darwin matou Deus?".
O evento, presidido magnificamente por Sarah Montague, locutora da BBC, e promovido pelo centro de estudos Theos, explorou a compatibilidade da crença em Deus e a evolução darwiniana. No painel, estiveram presentes o lorde Robert Winston (judeu), o professor Steve Jones (ateu ou "não-teísta", para usar o seu termo preferido), o doutor Denis Alexander (cristão) e a professora Nancy Rothwell (agnóstica).
A análise é de Paul Woolley, publicado na página eletrônica do jornal Telegraph, 13-05-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O ano de 2009 é um ano de duplo aniversário de Darwin. No dia 12 de fevereiro, celebramos os 200 anos de aniversário de seu nascimento. No dia 24 de novembro, se completarão os 150 anos de aniversário da publicação de "A origem das espécies".
E o que o debate revelou?
Em primeiro lugar, o nível de participação no debate é uma evidência da extensão do interesso do público em questões que se referem a ciência e religião. Muitas vezes, pensa-se que a disputa de ideias acabou, mesmo que, dada a crise econômica, talvez ela tenha apenas começado. O fato, porém, é que as pessoas estão interessadas nas grandes questões que têm a ver com as origens, a identidade, o objetivo. A ciência e a religião são disciplinas complementares que oferecem respostas a diferentes espécies de grandes questões. A teologia lida com o "quem fez" da criação. A ciência lida com o "quando", o "onde" e o "como".
Em segundo lugar, é claro que as pessoas têm diferentes opiniões sobre as próprias crenças de Darwin, seu legado e a compatibilidade da fé religiosa e a teoria da evolução pela seleção natural. Ao debater essas perspectivas, é crucial que os diferentes lados em debate evitem chamar Darwin para o seu lado. É errado afirmar, como certos ateus, que Darwin morreu ateu ou antiteísta, ou, como certos religiosos afirmam, que ele se converteu no final de sua vida. A verdade é algo entre essas duas realidades.
Darwin era provavelmente agnóstico quando morreu, mas ele nunca foi ateu e estava certo de que a crença em Deus e a evolução eram compatíveis. Em 1879, Darwin escreveu a John Fordyce: "Parece-me absurdo duvidar que um homem possa ser um ardoroso teísta e evolucionista (...). Em minhas mais extremas oscilações, eu nunca fui um ateu no sentido de negar a existência de Deus". Darwin morreu três anos depois, sem mudar sua opinião. "Você expressou a minha convicção interna", ele disse ao autor William Graham em uma de suas últimas cartas, "de que o Universo não é o resultado do acaso".
A terceira lição do debate é que é possível não concordar sem ser desagradável. É notável que os recentes livros de ateus públicos não apenas continham uma grande quantidade de imprecisões factuais (indicando uma extraordinária profundidade de analfabetismo religioso), mas também não possuíam a graça, a humildade e a cortesia encarnados por Darwin. O painel do dia 12 demonstrou que podemos sustentar visões conflitantes sem sermos agressivos ou ofensivos.
E, caso você esteja querendo saber, quando questionado, o público deu como resposta um claro "não". Nem Darwin nem a sua teoria têm o sangue de Deus em suas mãos.
Fonte: Boletim de notícias IHU Online
9:47 AM
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Quinta-feira, Maio 07, 2009
Seguem abaixo frases retiradas das redações do último ENEM. Não mostra a incopetência dos alunos, mas o descaso com a educação em nosso país e, principalmente, em nosso estado. Nosso querido governador quer apenas números de alunos aprovados, sendo eles formados quase semi-analfabetos. E os professores? São obrigados a dar nota, a fazer com que o aluno não reprove. E nós... como sempre... votamos na continuidade desse processo!
1) "O problema da amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já se estalaram na floresta."
2) "A amazônia é explorada de forma piedosa."
3) "Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar o planeta."
4) "A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu."
5) "Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta."
6) "O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação.
7) "Espero que o desmatamento seja instinto."
8) "A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo."
9) "A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta."
10) "Tem empresas que contribui para a realização de árvores renováveis."
11) "Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas."
12) "Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna."
13) "Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza.."
14) "A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica."
15) "A amazônia tem valor ambiental ILASTIMÁVEL."
16) "Explorar sem atingir árvores sedentárias."
17) "Os estrangeiros já demonstraram diversas fezes enteresse pela amazônia."
18) "Paremos e reflitemos."
19) "A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não autorizadas."
20) "Retirada claudestina de árvores."
21) "Temos que criar leis legais contra isso."
22) "A camada de ozonel."
23) "a amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor."
24) "A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas, sem coração."
25) "A amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo desmatamento devastador, intenso e imperdoável."
26) "Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação."
27) "Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários xises."
28) "A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos governantes."
29) "O povo amazônico está sendo usado como bote expiatório."
30) "O aumento da temperatura na terra está cada vez mais aumentando."
31) "Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões, ursos, etc."
32) "Convivemos com a merchendagem e a politicagem."
33) "Na cama dos deputados foram votadas muitas leis."
34) "Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da froresta amazonia."
35) "O que vamos deixar para nossos antecedentes?"
9:38 AM
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Quinta-feira, Abril 30, 2009
Segue o texto que escrevi como mensagem final da comemoração dos 35 anos da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Campinas, no ano de 2008.
“Dizem que o Sol deixou de brilhar. Que as flores mais belas não perfumam mais. Que os jovens teriam deixado de amar, de crer na esperança de poder mudar. Que as lutas e os sonhos o vento espalhou e que envelheceram as forças do amor.”
Querida Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Campinas!
São 35 anos de evangelização neste chão! Somos juventude que evangeliza a juventude. Somos, no hoje da Igreja, os protagonistas da evangelização. Queremos celebrar os nossos 35 anos de caminhada fazendo memória de nosso passado, vivendo o presente e de olho no futuro.
Os bispos da América Latina, em Medellín, apontavam que a juventude é mais sensível aos problemas sociais e, é ela quem reclama a constante renovação da vida da humanidade. Em Puebla, a Igreja, fez sua opção preferencial pelos jovens dizendo que a juventude é símbolo da Igreja e sua fonte renovadora e renovada.
Dom Gilberto, Padre Caio eis a juventude da Igreja de Campinas! Eis sua força renovada e renovadora. São nesses jovens que a Igreja de Campinas deve depositar sua confiança, como nos pedem os bispos. Aqui estão jovens de todos os cantos dessa Igreja, dos mais diversos grupos, das mais diversas comunidades, paróquias e Foranias. São jovens que buscam um Messias, o Cristo, que caminha em sua direção.
Juventude, o Cristo vem ao nosso encontro, se identifica conosco! Ele também é jovem! Também buscava a renovação social, política, econômica e religiosa de sua época. Devemos ter, com o Cristo jovem, um encontro pessoal e nos identificarmos com sua pessoa.
Irmãos e irmãs, nós também somos Igreja... e somos seu rosto jovem! Somos ou não somos sementes de uma nova nação? Somos ou não somos?
Em sua visita ao Brasil o Papa Bento XVI se encontrou com a juventude e afirmou que nós, jovens, somos o presente da Igreja e da humanidade. Somos nós o seu rosto, somos nós o rosto de Deus! “Se a juventude viesse a faltar, o rosto de Deus iria mudar!”. O Papa Bento XVI também acrescentou que sem a juventude, o rosto da Igreja será desfigurado. Por isso, querida juventude, vamos... conquistemos nossos espaços na Igreja e na sociedade! Todos nós devemos ser PJ aqui, PJ lá e PJ em qualquer lugar!
Olhemos nossa realidade; percebendo as mudanças da sociedade; fazendo memória da nossa caminhada; descobrindo o amor de Deus para conosco, tendo presente o amor materno da Mãe Imaculada; refletindo a ação de Deus em nossos grupos e comunidades e celebrando seu amor na vivência dos valores do Reino, como nos pede o Marco Referencial da Pastoral da Juventude.
Vamos juventude! Como Pastoral e como Igreja, construir mais 35, 40, 50, 100 anos de história nessa Igreja de Campinas, mostrando o rosto jovem do Cristo libertador. Vamos edificar o Reino com nossa opção preferencial e evangélica pelo Cristo que se fez e faz pobre com os pobres!
Pastoral da Juventude nosso desafio hoje, como juventude da Igreja de Campinas, é unirmos forças com todos os organismos eclesiais que também trabalham na evangelização de jovens. Devemos nos unir para vencermos as forças de um sistema opressor e assassino, devemos juntos com os organismos defender os valores evangélicos, defender a dignidade da pessoa humana. Sim! Devemos ser jovens libertos e doados, na causa do amor empenhados... como pastoral, como organismos, enfim, como juventude da Igreja de Campinas a caminho do Reino definitivo.
Querida juventude, sejamos o coração da Igreja na sociedade e o coração da sociedade na Igreja! Somos todos discípulos e discípulas, missionários e missionárias do Cristo jovem!
“Eu quero ver, eu quero ver! Um sonho bom. Sonho de muitos acontecer!”
Que Maria Imaculada, a jovem de Nazaré que deu seu sim a Deus, interceda por todos nós ao seu Filho para que, como rosto de Deus, sejamos verdadeiramente, protagonistas do Reino. Parabéns Pastoral da Juventude, parabéns querida juventude pelos 35 anos de caminhada e de evangelização! Deus abençoe a todos.
11:19 PM
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Sexta-feira, Outubro 24, 2008
Um pouco da vida do filósofo Emmanuel Lévinas em quem estou baseando meu trabalho de conclusão de curso...
Emmanuel Lévinas nasceu em 1906 na cidade de Kovno na República da Lituânia. Sua família era de tradição judaica e, como judeu, teve sua educação fundamentada na tradição religiosa dos judeus, mas também dentro da cultura russa. Aos seis anos Lévinas ingressou na escola onde se ensinava o hebraico e se introduzia os estudos talmúdicos e se lia a Torá.
Por ocasião da Primeira Guerra Mundial (1914), em 1916 sua família se refugiou na Cracóvia (Ucrânia). Em 1917 Lévinas ingressou no Liceu da Cracóvia onde estudou por três anos. No ano de 1920 sua família retornou para a Lituânia.
Seus estudos no Liceu fizeram com que Lévinas tivesse contato com os romances russos que o levaram às inquietudes sobre o que é essencial e relativo no sentido profundo da vida humana, como o tema da transcendência e do amor.
Por causa de sua antipatia pela Alemanha e pelo prestígio do idioma francês, com 17 anos, emigrou sozinho para Estrasburgo na França, com o objetivo de fazer sua carreira dentro da Filosofia. Mas, antes de seguir seus estudos filosóficos, teve de aprender a língua francesa e estudou, por um ano, o latim.
Foi em Estrasburgo que Lévinas iniciou seu contato com personalidades do mundo filosófico de sua época, como por exemplo: Maurice Pradines, que ministrava aulas sobre Ética e Política; e do estudante Maurice Blanchot, tornando-se amigos por toda a vida e um acabará tendo influência sobre as teorias do outro.
Em seus estudos na licenciatura, Lévinas conheceu o pensamento do pensador Bergson, que acaba influenciando a formulação de categorias da Ética de Emmanuel Lévinas. Após seu contato com o pensamento de Bergson, indicado por outro professor de filosofia, Lévinas entra em contato com a obra de Husserl. Com a leitura dos textos de Husserl, Lévinas decide ir para Friburgo, na Alemanha, para estudar fenomenologia com seu fundador já aposentado, mas que ainda lecionava. Sendo aluno ouvinte de Husserl, Lévinas participa de dois cursos, sendo eles: A noção de psicologia fenomenológica e A constituição da intersubjetividade.
Por meio de Husserl, Lévinas acaba conhecendo as obras de Heidegger, acabando por achá-lo mais interessante e imprevisível do que Husserl.
Em 1930, aos 24 anos, Lévinas apresenta sua tese de doutorado sobre o pensamento fenomenológico de Husserl, tendo como titulo: La théorie de l’intuition dans la phénoménologie de Husserl, nela buscou encontrar na fenomenologia transcendental de Husserl elementos do pensamento ontológico existencialista de Heidegger.
Quando termina seu doutorado Lévinas muda-se para Paris naturalizando-se francês, chegando a prestar o serviço militar e casando-se. Ingressa, como administrador escolar, na Alianza Israelita Universal. Tal instituição fora fundada com o objetivo de “emancipar culturalmente os judeus residentes em países em que não eram reconhecidos como cidadãos”. Nesse período Lévinas escreve sobre temáticas judias, Husserl, Heidegger e sobre a existência.
Como Lévinas era um cidadão francês e apto para o serviço militar, inscreveu-se como voluntário para participar da Segunda Guerra Mundial na qualidade de tradutor do alemão e do russo, já que conhecia bem as duas línguas. Durante a ocupação da França em Rennes, Lévinas é feito prisioneiro e levado para Hannover, na Alemanha, permanecendo prisioneiro de guerra no campo de concentração de Stammlager.
Há um fato interessante que Lévinas aponta nesse período em que permaneceu preso. Os prisioneiros tinham que cumprir uma rotina diária de trabalho na agricultura e, nesse ir e vir para o campo de concentração e o local de trabalho, um cachorro se inseriu nessas idas e vindas cotidianas. E Lévinas afirma: “Nesse rincão da Alemanha, onde ao atravessar o povoado éramos vistos pelos moradores como judeus, esse cachorrinho evidentemente nos considerava como humanos”. Emmanuel Lévinas permaneceu no campo de concentração por cinco anos. Mas, intelectualmente, aproveitou este período em que ficou preso. Nas horas livres fazia leituras de obras filosóficas, algumas que não havia lido ainda como as de Hegel, Proust, Diderot, Rousseau.
O campo de concentração apresentava tanto seu lado positivo, como negativo para Lévinas. Positivo no sentido de que estava afastado de todo o conflito num campo de concentração localizado na floresta. Negativo, e que acaba pesando mais em tais circunstâncias, de que não recebia informações de seus familiares que não respondiam as cartas e, havia também, rumores de campos de extermínio.
Havia também, negativamente, o sentimento de incerteza em relação ao seu futuro no campo de concentração, já que nada se falava sobre o destino dos judeus que ali estavam presos. É nesse contexto que Lévinas começa a escrever o texto De l’existence à l’existant (Da existência ao existente), considerado central em seu pensamento. Com o final da Segunda Guerra Mundial (1945), acaba também o seu cativeiro. Lévinas retorna a Paris, reencontra sua esposa e começa a reconstruir sua vida na Europa pós-guerra. Emmanuel Lévinas retornando as suas atividades pedagógicas assumiu a diretoria da Escola Normal Israelita Oriental.
No ano de 1947, Lévinas publica a obra De l’existence à l’existant. E segue com suas produções filosóficas de artigos até que em 1961, Emmanuel Lévinas publica a sua tese de doutorado em Letras intitulada: Totalité et infini: essai sur l’extérité. Em 1972, Lévinas publica mais uma de suas célebres obras: Humanisme de l’autre homme. No ano seguinte é nomeado professor da Universidade de Sorbonne, aposentando-se de tal atividade no ano de 1976, ano em que falece o filósofo Martin Heidegger. Mesmo aposentado de sua atividade como professor, permaneceu na instituição proferindo seminários.
Aos 76 anos, Lévinas ainda produz muitos textos filosóficos, publicando em 1982 mais algumas obras como: De Dieu qui vient à l’idée e Éthique et infini. E em 1982, Lévinas suspende seus seminários em Sorbonne. Emmanuel Lévinas produz artigos filosóficos até o ano de 1994, quando tinha 88 anos. E no dia vinte e cinco de dezembro de 1995, com 89 anos, falece em Paris deixando um legado filosófico que ainda ecoa em nossos dias.
9:24 PM
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Sexta-feira, Maio 02, 2008
Ao amigo-irmão Claudiney pelo seu aniversário!
Certos amigos são indispensáveis,
simples como aquela estradinha de terra no interior,
onde do alto da colina podemos avistá-la inteirinha,
sabemos onde podemos ir e onde podemos chegar,
são transparentes e confiáveis.
Outros, acabaram de chegar,
como estradas que só conhecemos pelo Guia,
e vamos nos aventurando sem saber muito bem seus limites,
é um caminho desconhecido,
mas que sempre vale a pena trilhar.
Tem amigos que lembram aquelas estradas vicinais,
que pouco usamos, pouco vemos,
mas sabemos que quando precisarmos, ela estará lá,
poderemos passar e cortar caminho,
mesmo distante, estão sempre em nossa memória.
Por certo, também existem amigos que infelizmente,
lembram aquelas estradas maravilhosas,
com pistas largas e asfalto sempre novo,
mas que enganam o motorista,
pois são cheias de curvas perigosas,
e quando você menos espera...
é traído pela confiança excessiva.
E existem amigos que são como aquelas estradas
que desapareceram, não existem mais,
mas que sempre ligam a nossa emoção até a saudade,
saudade de uma paisagem, um pedaço daquela estrada,
que deixou marcas profundas em nosso coração.
Foram, mas ficaram impregnados em nossa alma.
E na viagem da vida, que pode ser longa ou curta
amigos são mais do que estradas,
são placas que indicam a direção,
e naqueles momentos em que mais precisamos,
por vezes são o nosso próprio chão.
4:01 PM
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